O Gaeco deflagrou a Operação Aliança na manhã desta quarta-feira (25) em Umuarama e prendeu cinco policiais militares (PMs) suspeitos de participação em um esquema de contrabando e descaminho. De acordo com a investigação, o grupo possui atuação em Umuarama e na região. A ação resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão e outros de busca e apreensão.
Os presos são os policiais militares da ativa Tiago Franchestti Bellio, Dário Fernando Corrêa (preso em Icaraíma) e Everton de Olivera Souza, que também foram afastados das funções. Além disso, os policiais da inativa Geneci da Silva Lage (preso em Iporã) e Clemente Galvão de Almeida. Everton Luiz já foi alvo da Operação Força e Honra em 2021, também deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o Gaeco, responsável pela investigação, o grupo seria responsável por dar suporte à entrada irregular de mercadorias no país, principalmente celulares e cigarros eletrônicos, em grande volume. A suspeita é de que o esquema esteja em funcionamento há pelo menos três anos.
A operação contou com apoio da Polícia Federal, da Corregedoria da Polícia Militar e do 25º Batalhão da PM. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, cinco de busca pessoal e três de afastamento das funções, por determinação da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual.

Investigação indica atuação dos PMs suspeitos no esquema
As investigações apontam que os policiais exerciam diferentes funções dentro do esquema, como transporte de cargas, atuação como “batedores” e suporte logístico. Também teriam repassado informações sensíveis, como dados sobre operações policiais e escalas de serviço, para facilitar as atividades ilícitas.
A logística identificada envolvia o transporte de mercadorias da região de fronteira em veículos menores até Umuarama. Em seguida, os produtos eram transferidos para caminhões e distribuídos para diversas regiões do Paraná e outros estados.
Durante o cumprimento dos mandados, aconteceram buscas em unidades policiais, incluindo a 4ª Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) e o 25º BPM. Além disso, o efetivo esteve em um restaurante e uma sala na Secretaria de Trânsito do município. A Prefeitura de Umuarama se manifestou sobre as buscas (confira aqui).

Uma pessoa foi presa em flagrante por obstrução de Justiça. Também foram apreendidos celulares, documentos, anotações, armamentos, fardamentos e equipamentos operacionais.
O valor movimentado pelo grupo é considerado expressivo, mas não foi divulgado. O material recolhido será analisado e pode levar a novos desdobramentos. O caso segue sob sigilo, e o Gaeco não descarta o envolvimento de outras pessoas.
Em coletiva, o tenente-coronel Claudio Longo afirmou que a Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e informou que serão instaurados procedimentos administrativos para apurar a permanência dos envolvidos na corporação. Os presos devem ser encaminhados para a região metropolitana de Curitiba. Confira aqui a coletiva.

Defesa dos policiais alvo dos mandados de prisão
OBemdito manteve contato com o escritório do advogado Ronaldo Camilo, que atua na defesa de Clemente Galvão de Almeida. O advogado informou que já se manifestou no processo, que segue em sigilo. Ele pediu a visibilidade dos autos e também a liberdade provisória do cliente e agora aguarda a decisão da Justiça.
O advogado Erick Costa está atuando na defesa de Dário Fernando Corrêa. OBemdito entrou em contato e o advogado informou que não vai se manifestar neste momento, pois ainda não teve acesso ao processo.
A advogada Keity Accadrolli está representando Everton de Olivera Souza. Em contato com OBemdito, ela disse que já se habilitou ao caso, mas que os autos ainda seguem em sigilo. Por isso, irá se manifestar posteriormente.
Tiago Franceschetti Bellio é representado pela advogada Kelly Cristina Borghesan. OBemdito manteve contato telefônico com seu escritório, mas foi informado que a advogada não se encontrava mais disponível nesta quarta-feira. A reportagem deixou o espaço aberto para sua manifestação.
OBemdito não teve acesso à defesa de Geneci da Silva Lage. Dessa forma, deixa espaço aberto para que seu procurador se manifeste.

O Bemdito


